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Hugo Chapouto

Entrevistado por Patinagem Artística Lovers  
13 de Junho de 2014 às 2:12
Perfil

Nome: Hugo Chapouto      Idade: 28

Profissão: Arquitecto/Cenógrafo/Coreografo/Treinador

Lugares alcançados: Campeão do Mundo de Solodance Sénior (2009 e 2010); Vice-Campeão Mundial de Solodance (2008); Vencedor da Taça da Europa de Solodance Sénior (2008, 2009 e 2010); Campeão Europeu de Pares de Dança (2002), Campeão Nacional de Solodance (2002, 2003, 2008 e 2009); Campeão Nacional de Quartetos (2007, 2010 e 2011); Campeão Nacional de Small Group (2006, 2007, 2009 e 2010); Campeão Nacional de Precisão (1997 a 2007, 2009 e 2010); Campeão Nacional de Pares de Dança (1996 a 2004); Medalha de prata no Campeonato Europeu de Pares de Dança (2003).

<p></p><p>Não precisa de grandes apresentações. Foi o primeiro campeão mundial português e vencedor de imensos campeonatos internacionais, nacionais, prémios, distinções… E pelos vistos não vai parar por aqui. Venceu, por larga margem, o recente Campeonato Nacional de Solodance e Pares de Dança e tem dado cartas como treinador, à frente do Rolar Matosinhos. Senhoras e</p>senhores, Hugo Chapouto n’A Entrevista.
<p></p><p>Patinagem Artística Lovers: Terminou há pouquíssimos dias o Campeonato Nacional de Solodance e Pares de Dança. Que</p>expetativas tinha?

Hugo Chapouto: O campeonato de Pares de Dança e Solodance 2014 foi um grande evento para a Patinagem Artística Portuguesa. Mais de 150 atletas de 31 clubes mostraram o que de melhor se faz em Portugal nestas disciplinas. Assistimos a grandes performances, mas sobretudo a uma alargar do número de atletas a competir no grupo da excelência.
Tínhamos expectativas elevadas face aos resultados obtidos no Distrital, mas não esperávamos que nos escalões mais jovens conseguíssemos conquistas tão relevantes. Já nos escalões mais adultos e nos Pares de Dança, acabamos por na generalidade melhorar as performances do Distrital e conseguir importantes conquistas, apesar da qualidade da concorrência.
Mostrar o trabalho desenvolvido ao longo da época e conquistar lugares na seleção nacional para participação em provas internacionais, eram os grandes objectivos... O primeiro foi largamente alcançado, a ver vamos o segundo!

<p></p><p>Tem atletas de altíssimo nível internacional e uma grande equipa, se não a maior. Esperava ganhar a classificação por</p>equipas?
Apesar da variedade de atletas individuais de alto nível, duas escolas se afirmaram como concorrentes mais directas ao Rolar Matosinhos na luta pelo título colectivo: a recente Academia de Patinagem da Casa de Benfica de Paredes, liderada por Filipe Sereno, e a União Desportiva Vilafranquense, liderada pela Cristina Marques.
Ambas tinham número e qualidade, mas a falta de atletas nos escalões mais jovens da APCBP ou a inexistência de Pares de Dança da UDV acabou por contribuir para a conquista distanciada do título pelo Rolar.
Apurámos 25 atletas para 26 provas (após um Campeonato Distrital muito competitivo!) e conseguimos classificar todos no top 10, o que nos deixa particularmente satisfeitos. Foram 17 medalhas e 9 títulos de Campeões Nacionais conquistados, fruto da qualidade dos nossos atletas e da dedicação da nossa equipa técnica (Marta Chapouto, Andreia Cardoso e Catarina Leigo), que souberam potenciar as minhas exigências.
Mas não posso deixar de congratular todos os treinadores e atletas pela excelência do trabalho realizado e pelo nível de excelência apresentado por muitos atletas, assim como, pelo aparecimento de novos pares de dança!!!

<p></p><p>Vamos voltar aos seus tempos de atleta, antes ainda de regressar em solodance. Como era fazer dança naquela época? Muito diferente de hoje em dia?</p>
Fazer Dança em Portugal (na altura Pares de Dança, uma vez que a Solodance estava nos seus primórdios) era excepcional. Apesar de não serem significativos os resultados internacionais, havia já uma tradição de qualidade com escolas como a da Helena Dias, Cristina Marques, Pedro Craveiro, Fernando Andrade ou Helena Veloso.
O conhecimento técnico estava em fase de experimentação com a direcção do Mirko Minarini e da Cinzia Bernardi que durante anos conseguiram formar e sedimentar uma determinada cultura de Dança que acabou por ser a base para o actual estado da disciplina.
A competição não era tão generalizada como hoje em dia, mas já se faziam performancesmemoráveis como a coreografia do "zorro" patinada pelo Filipe Sereno & Sara Pinto, e que tanto influenciou os jovens pares da altura.
Com o aparecimento da Solodance, deu-se a expansão da disciplina de dança, que antes estava limitada à existência de elementos do sexo masculino para a formação de pares, e como isso uma evolução generalizada da técnica e imagem da patinagem em geral. O que acabou por beneficiar tudo e todos!

<p></p><p>Foi campeão europeu de dança, entre outros prémios. Foi o início da potência portuguesa nesta categoria, que depois deu frutos com</p>a chegada do solodance?
Portugal marcava já presença assídua em campeonatos internacionais com pares de dança, mas durante os inícios deste milénio, deu-se o primeiro grande "boom" da disciplina, de salientar o Campeonato Europeu de Vigo (2002) onde Portugal se fez representar por três Pares de Dança Seniores e um Júnior.
Eu e a Vanessa Costa acabámos por conquistar a primeira medalha internacional da disciplina ao ganharmos a competição no escalão de Juniores e assim abrir portas a outros pares mais jovens que alcançaram grandes feitos para a Disciplina, como o Wilson Malta & Luísa Costa que conquistaram a primeira medalha (bronze) num mundial (2004) para a Disciplina.
Mas tudo isto faz parte de um percurso que começa muito antes, com a aposta da FPP em desenvolver a Dança em Portugal e também da iniciativa particular de treinadores como Pedro Craveiro e Fernando Andrade com a organização de Estágios internacionais.

<p></p><p>E a patinagem livre, que lugar tinha na sua vida de patinador?</p>
A minha formação fez-se exclusivamente no Rolar Custóias Clube (atual Rolar Matosinhos) onde era política os atletas fazerem todas as disciplinas, portanto tive bases sólidas em todas as áreas, incluindo patinagem livre e figuras obrigatórias.
Considero absolutamente preponderante que atletas em fase de formação alarguem ao máximo as suas experiências sobre os patins, nomeadamente a pratica das varias disciplinas da Patinagem Artística, no sentido de reforçar o domínio, de alargar o conhecimento e de conquistar sustentabilidade como praticante.
Não posso deixar de relembrar o orgulho com que a Mestre Sara Locandro me pediu para tirarmos uma foto em 2008, no meu primeiro Mundial, apelidando-me de seu aluno, visto ter sido ela que acompanhou durante anos o meu progresso (e de tantos outros) nos estágios de patinagem livre.
Saltos e Piões são manobras fundamentais para quem quiser ser um verdadeiro patinador, e tenho a certeza que essa bagagem foi fundamental para as conquistas que alcancei como patinador em fases mais tardias da minha carreira.

<p></p><p>Porque voltou a competir anos mais tarde e porquê em solodance?</p>
Em 2005 decidi abandonar a alta-competição, por considerar que estava a ser impossível gerir a minha carreira desportiva e académica, mas sobretudo porque o contexto desportivo não me parecia tão motivador... Mantive-me como Treinador, e consegui "continuar" uma escola e construir novos atletas e importantes conquistas.
Em 2007, como treinador do Paulo Santos, que nesse ano tinha conseguido o Título Europeu em Juniores e participado no primeiro Mundial de Solodance, tinha reunido a confiança e conhecimento para voltar a considerar uma hipótese de voltar a competir, depois da constante pressão de vários amigos, tendo em conta que se havia anunciado que o Mundial de 2010 se realizaria em Portugal (mais de trinta anos depois do ultimo em Portugal).
Na altura encontrava-me a viver e a estudar em Barcelona, a propósito do Programa Erasmus em Arquitectura, e como tal era impossível avançar com um projecto a dois, pelo que optei por regressar em Solodance.
Assim, desenvolvi um projecto de três anos que tinha como objectivo apresentar-me no Mundial de 2010 em Portugal e lutar por uma medalha, e deu-se início à aventura...

<p></p><p>Conseguiu derrotar um campeão do mundo italiano, foi mais difícil do que apenas sagrar-se campeão do mundo?</p>
Nunca mais esquecerei a imagem da porta da pista em 2008, com a Edite Reis (selecionadora Nacional) e da Marta Chapouto (minha treinadora) ao lado de mais de vinte "treinadores" italianos antes da prova de Dança Livre que iria determinar o primeiro campeão do mundo de Solodance...
Foram momentos fantásticos partilhar a pista com atletas extraordinários ao longo desses três anos. E a conquista do título Mundial em 2009, foi muito mais profunda que a derrota de algum atleta... Foi o sonho tornado realidade! O sonho de muitos atletas/treinadores portugueses que trabalharam arduamente ao longo de anos para que o nível fosse aumentando e que algum dia fosse possível a derradeira conquista.
Para mim o mais importante é a mensagem por detrás da medalha, trabalho árduo, trabalho de equipa, humildade e originalidade! Ensinaram-me enquanto atleta de formação que ser português e competir ao mais nível significava que "não bastava sermos melhores, tínhamos de ser muito mais fortes"!!!
<p></p><p>E qual é a sensação de se ser o primeiro campeão do mundo português?</p>
Abençoado.
Mais do que a meta, pelo percurso percorrido... Pelas experiências memoráveis e pessoas fantásticas que me moldaram como pessoa e atleta. O sucesso deste feito, não é a minha conquista, mas a de todos os que directa e indirectamente se uniram ao projecto e contribuíram para que este se materializasse! O carinho e amor da Marta, Família e Amigos... Companheiros de treino e agentes desportivos nacionais e internacionais foram a maior vitória de todas que acabou por se materializar nesse título, com o reconhecimento internacional e social!  
Responsabilidade.
Sempre acreditei que o exemplo é a melhor ferramenta para educar, e depois de ter percorrido esse percurso inédito acredito ser minha responsabilidade divulgar todas as aprendizagens conseguidas para que os mais novos consigam chegar ainda mais longe.

<p></p><p>Um ano mais tarde, e depois de uma época difícil, é bicampeão mundial a patinar em casa! O que pensou quando chamaram o seu nome para a dança livre?</p>
Estava em paz! Sabia que tinha dado o meu melhor durante os últimos três anos e sabia que seria a minha última grande performance competitiva... Patinei de coração cheio e recebi muito mais do que o que dei!

<p></p><p>Acha que foi um grande impulsionador para que hoje, por exemplo, haja nos escalões seniores grandes disputas?</p>
Considero que a minha carreira acabou for influenciar positivamente os atletas mais novos, permitiu-lhes acreditar que era possível, mostrou-lhes a importância do trabalho sobre o talento e motivou-os a fazer mais e melhor.
Atletas como o Ricardo Pinto, campeão Mundial Júnior e Medalha de bronze Sénior, ou Iara Rocha & Emanuel Salvadinho, Campeões Europeus Juniores, podem ser considerados fruto directo, mas penso que a maior consequência da minha carreira foi o estatuto de arte aliado à técnica que veio alterar completamente o paradigma de coreografia em Dança que existia até então.

<p></p><p>Desde aí tem criado uma escola de dança com enorme sucesso. Há algum segredo?</p>
O segredo é o trabalho e a partilha. Acreditar que por mais barreiras que apareçam é sempre possível ultrapassá-las e ter humildade de aprender todos os dias, como tudo e com todos!
Condições físicas favoráveis, e uma equipa de dirigentes e técnicos permite-nos desenvolver com sustentabilidade este projecto, para que mais atletas possam praticar a modalidade. Continuar a crescer técnica e humanamente são ferramentas básicas para a sustentabilidade da qualidade e quantidade do Rolar.
<p></p><p>Porque acha que outros países o contratam para estágios, para coreografar? Algo que já não víamos desde o Fernando.</p>
Acredito que admirem o meu trabalho e a minha metodologia. Ajudar tudo e todos, independentemente do nível ou capacidades... E estar disponível para partilhar (ensinar e aprender) em todos os contextos.
Sou muito curioso com outras culturas e modos de pensar/fazer e desfruto ao máximo as minhas partilhas com as pessoas com quem trabalho. Seriedade no conteúdo, boa disposição na forma e uma grande paixão pela patinagem parecem ser os
ingredientes para os vários projectos em que me incluem.
Para além disto, considero que o fato de estar organizado, constituição da empresa CHAPATIM - que oferece serviços consultoria técnica, material de patinagem e organização de eventos - permitiu dar mais credibilidade e profissionalismo à minha atividade profissional.

<p></p><p>Sem dúvida que Portugal é na atualidade o país do solodance, porque acha que temos tido tanto sucesso? Vamos continuar a estar à</p>altura dos italianos?
Não nos considero o "país do solodance" antes uma potência em dança, gosto sempre de relembrar os excelentes resultados alcançados pelos nossos Pares de Dança, nomeadamente os Irmão Soutos Campeões Europeus em Juvenis 2013 ou Emanuel Salvadinho & Iara Rocha Campeões Europeus em
Juniores 2013!
Apesar da generalização, o mais pertinente seria dizer que Portugal tem já uma "escola de dança", fruto da direção da Mestre Cinzia Bernardi como consultora da FPP, mas sobretudo, da qualidade do trabalho de vários treinadores nacionais que partilham os mesmos conceitos e praticam metodologias semelhantes, construindo um universo de patinadores dotados de qualidades superiores capazes de competir ao mais alto nível. Mas há ainda muito a fazer...
<p></p><p>Tem também dado cartas em patinagem de show. É importante diversificar a sua atividade e dos seus atletas?</p>
Diversificar sempre, e o mais possível!!! Quanto mais experiências tiverem, melhores serão os atletas. Não acredito na especialização precoce e penso, aliás, que esse é um dois maiores defeitos em Portugal... De forma a desenvolver sustentabilidade competitiva é preciso dotar os nosso atletas do maior número possível de experiências, contexto, emoções, para que estes continuem fascinados pela modalidade e motivados a se superarem dia a dia!

<p></p><p>E que objetivos, metas ainda ambiciona alcançar como treinador?</p>
Posso confessar que neste momento estou focado em pesquisar/desenvolver metodologias sustentáveis para Pares de Dança, uma vez que sinto em mim um défice que gostaria de superar. Mas o mais importante é continuar a formar atletas capazes e apaixonados, e contribuir para a maximização do conhecimento e metodologias da Patinagem Artística para que um dia o SONHO OLÍMPICO também se torne realidade.

<p></p><p>Para finalizar, uma mensagem a todos os nossos seguidores, que com certeza reconhecem-lhe grande valor.</p>
Aos amantes da Patinagem Artística dedico estas palavras pela coragem em se dedicarem, sobretudo nos tempos de hoje, a uma atividade tão exigente e complexa como a nossa. Mas acreditem que o vosso tempo não é "perdido" antes "investido" em se formarem como melhores seres humanos, mais capazes de enfrentar o futuro.
Considero que TODOS nos devemos comprometer mais, no sentido, de (re)organizar melhor e divulgar mais o potencial do nosso desporto, para que as condições da prática desportiva sejam mais justas face à qualidade e empenho dos nosso atletas.
A responsabilidade é de todos nós!
DANCEM SOBRE RODAS, e ENCANTEM!!!

Obrigado, Hugo.


 
 
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